Diário de um Ladrão

C´est de la lave liquide. C´est insensé, noir et dévorant. — Léon Bloy

Cão Celeste #2

Ilustração para a publicação Cão Celeste #2, para um texto da Silvina Rodrigues Lopes. Textos de Manuel de Freitas, Emanuel Jorge Botelho, Paulo da Costa Domingos, John Mateer, Silvina Rodrigues Lopes, António Barahona, Jorge Roque, David Teles pereira, Inês Dias, Diogo Vaz Pinto, Les Adieux. A introdução de Manuel Freitas termina com “Lisboa está a morrer e o  texto do António Barahona diz:

“No meu beco, há muitos pombos. Coloquei um recipiente com água, ao lado da porta, para eles beberem e se refrescarem. E atiro-lhes milho e pedacinhos de pão. Isto, porque me lembro de que no meio de tantos pombos, pode muito bem estar aquele que Jesus esculpiu em barro e a que deu vida, com o seu sôpro.

*

Mas…, Já não há espaço para voar: disseram-me que é proibido alimentar os pombos.

E também é proibido tocar música na rua e aceitar moedas dos passeantes: os meus dois filhos mais pequenos (9 e 12 anos, alunos respectivamente dos Conservatórios de Música e Dansa) foram presos por dois polícias, como se fossem vis bandidos.

Já não há arte na vida, nem espaço para brincar e voar:

NÃO É PROIBIDO MALTRATAR CRIANÇAS E DEVE-SE MATAR À FOME OS POMBOS DA CIDADE.”

29.VIII.012

 

Posted on 6/11/2012